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9.3.07

para lá das minhas mãos


- talvez
pudesses salvar-me como uma palavra pode
salvar um pensamento, ou uma
breve música pode acordar do abismo inocente
da noite
um instrumento encerrado nas cordas extenuadas.
Herberto Hélder


eu amava as amendoeiras e os ciciados silêncios dos campos, os trevos sobre a solidão das pedras. mas há um respirar mortal na terra, os rostos que se buscam são nocturnos, frios, não se decifram. a âncora é o mar, o coração sereno das coisas. mar, é o sonho que se despede da dor da vida.

17.12.06

demora-se o corpo na espera

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perturba-me a inocência do nome por dizer. podia sorver a doçura da palavra. tocá-la ao de leve. liquefeita. de encontro à língua. dizê-la. em súbito desejo de chorar todos os rostos. que em inumeráveis gotas o mar vai espalhando no meu corpo.

moriana, Luísa L.



foto de arthur k.

26.11.06

deep, deep as the sea...

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como barco onde viaja a palavra caminho em direcção ao mar. há um segredo no silêncio das águas. um segredo anterior à palavra. que me liberta desta vaga presença espalhada na vida.



(...)
Te vas alfonsina con tu soledad
Que poemas nuevos fuiste a buscar ...?
Una voz antigua de viento y de sal
Te requiebra el alma y la esta llevando
Y te vas hacia alla como en sueños,
Dormida, alfonsina, vestida de mar ...


mercedes sosa
ariel ramirez
féliz luna

foto de marta laura

14.11.06

When the wind turns on the shores lies another day*

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pensava em como os dias morriam na linha dos lábios. abrasando cada som esboçado. tardando a revelar-se. pensava em como atravessara a vida. magoado o corpo em todas as noites repousadas no interior dos dias. como flores rasgando o afecto. pensava no silêncio. descendo do mar. esperava. o vento. rebentando nas ondas. invadindo-me. esperava-te.




foto de lisica lachudra

* beth gibbons, mysteries

9.11.06

o lenço...


há este mistério...
que nos faz abraçar a morte na vida que nos magoa.
desejei apenas um gesto...
de desvanecida memória
sempre o mar desenhou todos os rostos...
abri-lhe o meu corpo
e então parti.

moriana, Luísa L.

5.10.06

the windmills of words

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a carícia do vento largava o desejo na pele. desatava a cadência no corpo, o vento. a cadência do mar. descobrindo a tua face em horizonte longínquo. foste o mar, és o mar. brincando. como brincam os sonhos na passagem das palavras.




foto de katia chausheva

3.10.06

standing in the doorway

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lancei na leveza do tempo a promessa dos teus dedos. falta-me agora recolher todas as interrogações e precipitá-las na minha voz. espero neste quarto. mas não é neste quarto que permanecem as respostas. é em todo o coração.





foto de werq


27.9.06

o meu mar

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o mar por detrás dos meus olhos. segredando-me que não existo. nunca existi. fragmentei-me em todos os afectos. em fuga. sobre o meu rosto.