17.2.05

puzzle

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Je n’ai pas peur
De dire que je t’ai trahi
Par pure paresse
Par pure mélancolie
Qu’entre toi
Et le Diable
J’ai choisi le plus
Confortable
Mais tout cela
N’est pas pourquoi
Je me sens coupable
Mon cher ami

(...)

[Lhasa de Sela, Confession in The Living Road ; Desrosiers, Dumontier]


Reencontrámo-nos, eu e tu.
Depois de longa ausência sem cruzar o espaço aberto.
Hoje o vento - suave o vento - enlaçou os meus cabelos,
dançou-os em ritmos breves.
Olhei-te com calma infinita, adormecendo a pressa,
aquietando o pensamento.
Os movimentos da garça, reparti-os contigo.
Acariciei o universo e entreguei-me, lânguida,
nos teus braços,
tai chi chuan.


E, no entanto, esquecera-te. Trocara-te pela magia fácil das peças de um puzzle of the day. Gosto de puzzles, aguçam-me o raciocínio e aliviam-me o stress acumulado ao longo do dia. Torno-os complexos, dividindo e subdividindo as pequenas peças, dando-lhes formas estranhas. Aumento assim o prazer de as sentir encaixar com sons cavos, marcando ritmos. É quase uma melodia que jogo no teclado.

Ultimamente e com um certo ar non-chalant, deixei que as peças me conduzissem. Observei-as, segui-as naquilo que mais detesto: o óbvio. Juntaram-se sem qualquer esforço meu, soltaram-se como necessidade desejada. Como quando procuramos um filme, sem conteúdo, de realizador obscuro, apenas pela vontade de esvaziarmos o espírito e mergulharmos no nada.

Trai-te, tai chi chuan. Mas o que me perturba foi fingir, de forma tão serena, que o puzzle era interessante.

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