10.1.06

enquanto o tempo avança

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escrevo, como se precisasse que um pensamento longínquo ficasse cativo na folha e na tinta no mesmo sobressalto que traça a palavra e depois se recolhe, esquece. viajo nos afectos (e é tão fugaz um afecto) enquanto o tempo avança, deslizante, na vastidão de outros lugares onde o silêncio cai. aos poucos, neste espaço alucinado dos signos, uma quase palidez de luar reaviva o teu rosto, veste de branco os contornos, destruindo-os. ontem, como hoje, quase tudo termina em ti. na forma de sonho absorto deformado pelo reflexo de um vidro descolorido.
tão simples seria amar.


*foto de mockbee

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