
era naquela claridade vadia entre corações encadernados que se acendia a nossa nudez. os dedos percorriam-nos a pele em parágrafos sublinhados pelo respirar de paixões clandestinas. mas tomaste uma obsessão pelas camélias que me deixava exangue, então a cada beijo trocava os títulos, escondendo essa paixão insistente no espaço diminuto do nosso abraço. um dia chegaste cedo e como quem chega cedo envenenaste o momento: sentiste a saudade das flores. num beijo entendeste o meu segredo e na fúria da tua boca gravaste-me no lábio uma camélia rubra. ainda hoje sangra.


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