29.12.06

leituras-reflexões de final de ano

(...) A história do horror é a substância determinante da História; e qualquer História tem uma normalidade, nada existe sem normalidade....uma estabilidade assustadora, uma constância do horror no tempo, uma manutenção da normalidade do horror que termine por completo com qualquer esperança. A curva visível nos três primeiros séculos depois de Cristo a repetir-se em cada três séculos: é desta repetição das curvas, é deste tédio que mais receio tenho. Se o horror estiver a diminuir é sinal de que seremos mais felizes daqui a cem gerações, se o horror estiver a aumentar esta história acabará, pois o horror final nada vai deixar; e depois, sim, poderá aparecer outra História melhor, mais ética. Estas duas hipóteses deixam-nos optimistas. Mas se o horror for constante, aí, então, não haverá esperança. Nenhuma. Tudo continuará igual.

Gonçalo M. Tavares, Jerusalém

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