30.1.05

o olhar e a tela


Como dois pratos de uma balança. Em equilíbrio.
Os traços rasgam-nos espaços, acolhem-nos em losangos, separando-os de novo em diagonais. Nelas nos envolvem e nos devolvem em triângulos. E convergimos, os corpos, os gestos, nesse ponto de fuga, delineado em brancos, em geometrias riscadas formando fundos de memórias, salpicadas por brilho translúcido.
Afastamo-nos. Respiramos aconchegados nos ângulos desse espaço que se move, repetindo quadriculados, alargando faixas onde nos aventuramos, caminhando inexoravelmente para esse cruzar de emoções. E envolvemo-nos, preenchendo vazios, tornando claustrofóbico, irrespirável o espaço que se dissolve entre os corpos.
Prende-se o olhar nos vértices da diagonal cruzando os quadrados, alargando o horizonte. Respiramos de novo.
Eu e tu.



L’équité, 1966
Vieira da Silva
Col. Paticular, Liège
Vieira da Silva nas Colecções Internacionais - em busca do essencial
Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva
30 de janeiro, 2005

Sem comentários: