Avistava-se o rio entre os muros. Nessa confluência, os ramos da árvore, que não era um cipreste, adormeciam a folhagem, indiferentes a tudo o resto. Olhando por entre esse espaço deixei que o ruído se diluísse atrás de mim. Não quis ver e no entanto também eu, um dia, balançarei nesse corredor onde o esquecimento nos absorve.
Senti-me salpicada de pequenas gotas salinas, acalentando não sei que dor. Mas não a minha. A que imaginei sentida por quem não despregava o olhar desse pedaço de pinho sendo levado em pedra branca. As portas abriram-se e deu-se o retrocesso.
Mas a mágoa tornou-se mais forte. O sentimento de perda, angustiada, inseriu-se cortante em quem esperava ver surgir de novo a imagem, e já era só imagem, desse pequeno barco fechado. Depois o silêncio. E a incredulidade de tudo ter acabado.
O início de tudo o resto. Dessa saudade que o coração não esqueceria e se tornaria mais aguda com o tempo. Destroços de uma vida, o que restava.
Olhando o rio, olhando o movimento dos ramos, virando costas, imaginei-me nesse oblivion e, talvez por isso, o pranto me invadia.
31.Janeiro.2005


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