I. Cunningham
Cruzava-lhe o caminho quando já tudo se aquietara. E era como a ventania voltando, batendo forte nas vidraças. O sossego acabava. Sentia-se envolta em rodopio de emoções arrastada em torvelinho, como pequeno grão de poeira.
A ânsia do encontro não lhe apressava os movimentos. Tinha tempo, chegava sempre cedo. E era em estranha calmaria que o aguardava, na praça iluminada pelos sons, abafada no calor das silhuetas, repleta de sombras.
Sentia-o chegar. Passos firmes, fortes, em pressa de recuperar os momentos atrasados. E juntos, em cadência febril na distância que se deixava percorrer, embrenhavam-se no labirinto de ruas estreitas em que a noite se tornava cúmplice.
A chave rodava e esse compasso de espera apressava as batidas no peito. No pequeno espaço do átrio a porta fechava-se, batia em tom seco e a casa esperava-os, acolhia-os. Nesse respirar conjunto subiam as escadas.
E Laura mergulhava os sentidos na liquidez intensa do seu olhar. Já não se pertencia.
A velha salamandra de ferro, emudecia junto à porta.


Sem comentários:
Enviar um comentário