
Yousef Aref
Tentou adormecer os pensamentos na cadência do comboio. A chuva continuava a cair, perdida na mesma noite que a abraçava, lhe acolhia o torpor.
Deixara a plataforma onde descera a meio da manhã.
Em inquietação procurara-lhe o vulto, demorando o olhar no espaço vazio. Em passos rápidos afastou-se como se o pânico começasse a persegui-la e correu para o autocarro. A chuva começara a cair.
Sentia o medo invadir-lhe o corpo, agarrar-se-lhe à pele, tomando forma de possibilidade futura. Essa sensação era-lhe insuportável.
Percorreu a pé o caminho que a separava do portão do jardim.. Não entrou no museu., o espaço era demasiado fechado para conter a angústia. Perdeu-se no parque procurando as memórias, temendo que elas lhe enfraquecessem a determinação. Mas era preciso efectuar esse percurso, lembrar os momentos antes que eles se tornassem sombras. Não conseguiu precisar quanto tempo permanecera à chuva, não a distinguindo do suave calor que lhe descia pelo rosto.
Sentiu-se mais calma e começou a caminhar para a saída. Foi quando ouviu o seu nome num grito de alívio, procurei-te por toda a cidade . Não se virou, apressou antes o passo.
Laura desistia dos afectos antes que os afectos a destruissem.


Sem comentários:
Enviar um comentário