28.10.05

o fio de sangue traça o labirinto da alma

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(pilicchowski ragno)


conservas nos teus olhos fechados a imensidão dos dias e das noites
e na imobilidade que determina o esquecimento
renuncias ao aroma de lilases. a esse aroma de lilases que se desprende
da moldura onde já não distingo se é o meu ou o teu rosto,
desenhando-se, vazio.
não encontro uma palavra para te embalar o coração e o que recordo
da escrita lavrada no teu corpo é apenas um subterfúgio
onde finjo esquecer a mágoa.
em mim, o teu olhar desvaneceu-se mas nunca perdeu a beleza.
teve apenas a duração da minha vida.


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