10.4.07

almost gold


Lo sabían los tres.
Ella era la compañera de Kafka.
Kafka la habia soñado.
Lo sabían los tres.
Él era el amigo de Kafka.
Kafka lo habia soñado.
Lo sabian los tres.
La mujer le dijo al amigo:
Quiero que esta noche me quieras.
Lo sabían los tres.
El hombre le contestó: Si pecamos,
Kafka dejará de soñarnos.
Uno lo supo.
No había nadie más en la tierra.
Kafka se dijo:
Ahora que se fueran los dos, he quedado solo.
Dejaré de soñarme.

Jorge Luís Borges, La Moneda de Hierro




zlatá ulicka




(...) nós precisamos de livros que nos afectam como um desastre, que nos magoam profundamente, como a morte de alguém a quem amávamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para uma floresta longe de todos. Um livro tem que ser como um machado para quebrar o mar de gelo que há dentro de nós. É nisso que eu creio.

Franz Kafka, carta a Oscar Pollak, 1904

15 comentários:

Unicus disse...

E acreditava bem, o Kafka. Um livro é tudo isso, mas é sobtretudo o nosso melhor amigo.
Beijinhos, Moriana

sophiarui disse...

o confronto é a melhor foice de podar... de nos podar...

abracinho

Sophia disse...

Mente atormentada (acho), mas sábia, sem dúvida!

Um bom livro é assim, tem que nos abalar de alguma forma.

;) Baci

musalia disse...

eu diria, se me permites: um livro é o nosso melhor amigo se produz, em nós, esse efeito de quebrar a indiferença...
um beijo, unicus.

musalia disse...

forma de aceitação, de nos colocar na emoção, de não fingirmos a sua inexistência. digo eu. e digo pouco...

abracinho. sophiarui.

musalia disse...

conto pelos dedos as almas não 'atormentadas' ;)

um livro é vida.

baci:)

sotavento disse...

Agora por gelo, não podes reclamar muito, ausente que estiveste, também tu!... :)

antónio paiva disse...

................


Beijo e noite serena

musalia disse...

sotinha, não reclamo...ou se reclamo é por sentir a tua falta.

beijocas:)

musalia disse...

antónio paiva, um dia tranquilo:)

um beijo.

Cometa 2000 disse...

aviso: um comentário longo........

sobre co(m)moção :
porque reflecte e provoca as emoções, ou melhor, a riqueza dos afectos; porque liga bem o abstracto com o físico; porque as palavras e os seus vários significados são postos de um modo belo e sentido. "os meus dedos dizem os teus olhos dentro das palavras que nunca escrevo e eu sei somente sei os teus olhos em palavras por cumprir".
porque afinal não são só emoções de pele mas de carne e sangue e osso; porque muitas vezes são convicções. "acredita-se até quando se deixa de acreditar
e ainda se acredita"

sobre este post, ofereço outra versão que era a que conhecia: "precisamos de livros que actuem sobre nós como uma desgraça que nos afectasse muito de perto, como a morte de alguém a quem amássemos mais do que a nós mesmos, como se fôssemos condenados a viver nos bosques, afastados de todos os homens, como um suicídio."

não são muitos os livros assim. e que pena! e que bom! senão não aguentaria.

:-)

musalia disse...

cometa 2000

nada tenho contra comentários longos:)

explicada a co(m)moção. e agora seria eu a repetir a tua frase:)
obrigada pela forma bela como interpretaste as minhas palavras.

quanto à frase de Kafka, um excerto de um parágrafo por mim seleccionado e 'recortado': é o problema das traduções, não se deveria traduzir, ler e escrever na língua original, é o que é. a tua versão acrescenta algo, mas fez-me reflectir: se se é condenado a, como poderia ser suicídio? apenas um pensamento, não uma dúvida :)

é isso, sim. quando a emoção é muita o tempo de duração só pode ser exíguo - caso contrário, é o que dizes: morreríamos.

até.
:)

Malcolm S. disse...

O Sr. Borges era ficou cego mas continuou a ver muito mais que os que têm dois olhos em perfeitas condições. Obrigado pela visita.

musalia disse...

malcom s.

foi um gosto visitar-te:)
Borges - palavras de ouro...

inês leal, 31 anos à volta do sol disse...

tenho que ter este livro.