30.5.07

just let me in




Estou só e cheio
do pavor do espaço
...


Armando Silva Carvalho

foto de moumine



20 comentários:

Klatuu o embuçado disse...

Devia sofrer de agorafobia... :)

musalia disse...

quem sabe, Klatuu...:)

o alquimista disse...

O medo é uma gota de fina água...


Doce beijo

musalia disse...

uma gota que não sacia...

um beijo, alquimista:)

Mateso disse...

...o pavor do espaço...é somente a inquietação da essência no quotidiano do desconhecido.
Bj.

Cristina Nobre Soares disse...

O medo transborda-nos...

sophiarui disse...

"estou só e cheia" de nada...

abraço

Sophia disse...

Perfeito!
A solidão consegue ser bastante assustadora!
Adorei!

;) Baci

agua_quente disse...

O espaço pode ser bastante assustador. Acrecentando a solidão.
Beijos

inês leal, 31 anos à volta do sol disse...

quem sabe o espaço também não está só e cheio de pavor...?*

laerce disse...

familiar esta sensação, esta solidão dói.

a foto é muito bonita.

Beijinhos

musalia disse...

mateso, ou daquilo que conhecemos demasiado...
bj.

musalia disse...

até que pode ser, cristina:)

musalia disse...

muito interessante, Sophiarui...
(logo te respondo;)

musalia disse...

sophia
bem vinda também ou, como dizes, assustadora :)
bj.

musalia disse...

agua quente

acrescentando o eco do silêncio...

beijos (aos dois)

musalia disse...

é isso, Inês :)

musalia disse...

laerce

achei-a muito bela, alguém agarrado às grades do lado de fora. curiosamente a autora du-lhe o nome: 'porta azul' :)

beijinho.

Nando disse...

“Quando entrar é sair”

Sim, ela, a extricar um muro : “Deixa-me entrar no teu enredo. Convocar-te. Vou sem pressa, imprecatada, na cegueira. Vou, serena, palpitando o tempo, entranhando a ilusão. Sim, pela portada, vou. Vou, no espírito, sentindo a carne. Sim, vou entrando pela penumbra. Deixa-me, com lentidão - tenho pavor do espaço. Quero adormecer, para, sem impaciência, ociosa, entrar, com as sombras. Depois, quero ficar aí, ao pé das pinturas dessa obscuridade do interior, onde a realidade cambia com a ficção. Por isso, devagar. Deixa-me internar-me aí. A tua secreta paixão exsuou o corpo, sim. Venéreo. Com o vapor escorrendo como lágrimas que corroem a matéria idêntica. E o teu desejo, assim, húmido, olhando para si. E, depois, os dedos inertes, dentro da casa, onde – o lugar dos sinais e das figuras – agoniam. Sim, a casa, o espaço incasto. Deixa-me, com urgência, entrar; tenho pavor do espaço. Deixa-me rememorar os passos cada um. Celebrar esquisitamente o teu dédalo. Deixa-me caber nessa recordação, para depois me abandonar munda no rasgão, na entrada, esquecer, cruzando esta frincha, e tomar todas as frestas e gretas da contusão, da estocada que me trespassou até ao medo de todo o lugar e extensão. Incesto. Deixa-me entrar na delusão. Sim, deixa-me entrar, para me abandonar e esconjurar. Tenho pavor do espaço.”

F. Castro

musalia disse...

nando, o sábio Ferreira de Castro, uma maravilha para a leitura.